Resumo Benchmark - Avaliação de Potencial e Sucessão
- Aline Vieira
- há 19 horas
- 5 min de leitura

Hoje, 04 de maio de 2026, realizamos um encontro extremamente rico no CHRO Network HUB, grupo que tenho o privilégio de administrar, com um objetivo muito claro: promover um benchmark avançado de práticas de RH, com foco em três pilares centrais:
Gestão de talentos
Avaliação de performance vs potencial
Planejamento sucessório
A iniciativa surgiu a partir de um membro do grupo (Gisele Piernikarz - Head de DHO empresa Tirolez) e com a colaboração de 03 Executivos que apresentaram seus cases:
Ana Priscila - Sr. HR Manager - Johnson & Johnson
Lorena - HR Director Global - Nielsen
Sergio Ferreira - Diretor de RH - Promofarma
A troca foi especialmente relevante por trazer modelos reais, aplicáveis e em diferentes níveis de maturidade, permitindo não apenas inspiração, mas análise crítica e comparativa.
1. GESTÃO DE TALENTOS — COMO AS EMPRESAS ESTÃO ESTRUTURANDO NA PRÁTICA
Comparativo — Estrutura de Gestão de Talentos
Dimensão | Sérgio Ferreira | Lorena Viscomi | Ana Priscila |
Abordagem | Operacional + integrada ao negócio | Estratégica + orientada ao futuro | Estruturada + governança global |
Modelo mental | Desenvolvimento interno | Planejamento de talentos | Pipeline estruturado global |
Foco principal | Formação e crescimento interno | Prioridade estratégica do negócio | Sustentação de liderança global |
Segmentação de talentos | Implícita | Top talent + críticos + risco | Pool estruturado |
Integração com negócio | Alta | Alta | Alta |
A comparação evidencia três estágios distintos de maturidade na gestão de talentos. No modelo apresentado por Sérgio, há uma conexão extremamente direta entre a operação e o desenvolvimento de pessoas. A gestão de talentos não é tratada como um processo isolado de RH, mas como parte do próprio funcionamento do negócio. A construção de trilhas de carreira desde níveis operacionais até posições estratégicas demonstra uma visão de longo prazo, onde o talento é formado internamente e desenvolvido de forma progressiva.
Já no modelo de Lorena, observa-se uma mudança importante de mentalidade: a gestão de talentos passa a ser um instrumento de decisão estratégica. A organização deixa de olhar apenas para “quem performa melhor” e passa a discutir onde deve investir, quem precisa ser desenvolvido e quais lacunas exigem contratação externa. A inclusão de variáveis como risco de saída e posições críticas amplia significativamente a sofisticação do processo.
No caso de Ana, o que se destaca é o alto nível de institucionalização. A gestão de talentos segue uma metodologia global, com critérios definidos e baixa flexibilidade local. Isso garante consistência e escala, mas também exige uma liderança altamente preparada para operar dentro desse modelo. O papel do RH aqui é menos operacional e mais de governança.
2. PERFORMANCE VS POTENCIAL — O GRANDE PONTO DE INFLEXÃO
Comparativo — Modelo de Avaliação
Critério | Sérgio Ferreira | Lorena Viscomi | Ana Priscila |
Integração | Integrado | Separado | Separado |
Ferramenta | Nine Box | Four Box | Nine Box + assessment |
Critérios de potencial | Práticos | Learning agility + aspiração | Seven Sign Posts |
Subjetividade | Moderada | Moderada | Baixa |
Foco | Equilíbrio | Futuro | Estrutura global |
Esse comparativo revela um dos principais desafios enfrentados pelas organizações: a correta distinção entre performance e potencial. No modelo de Sérgio, essa diferenciação existe, mas é trabalhada dentro de um mesmo ciclo de avaliação, o que exige maturidade dos gestores para não confundir entrega com capacidade futura. Ainda assim, os critérios utilizados são bastante práticos e observáveis, o que ajuda a reduzir distorções.
Lorena, por outro lado, opta por separar intencionalmente os ciclos de avaliação. Essa decisão não é trivial, ela busca evitar que o peso da performance contamine a análise de potencial. Ao simplificar o modelo para dois grandes eixos (learning agility e aspiração), a empresa consegue tornar o conceito mais acessível para os líderes, o que é fundamental em processos em fase de implementação.
No modelo da Johnson & Johnson apresentado por Ana, a avaliação de potencial atinge um nível elevado de sofisticação. A utilização de múltiplos critérios estruturados reduz significativamente a subjetividade e cria uma linguagem comum dentro da organização. No entanto, esse nível de estrutura também exige treinamento contínuo e disciplina na aplicação.
O ponto mais crítico, reforçado por todos, é que potencial não é uma extensão da performance. Ele envolve previsão, julgamento e risco e, portanto, precisa ser tratado com rigor metodológico.
3. PLANEJAMENTO SUCESSÓRIO DA FORMALIDADE À TOMADA DE DECISÃO
Comparativo — Sucessão
Critério | Sérgio Ferreira | Lorena Viscomi | Ana Priscila |
Frequência | Contínua | Anual | Anual |
Abrangência | Posições estratégicas | Posições-chave | Alta liderança |
Modelo | Múltiplos sucessores | Estratégico (Buy/Build/Bind) | Pipeline estruturado |
Transparência | Restrita | Restrita | Restrita |
Critério chave | Prontidão | Prioridade | Potencial estruturado |
O planejamento sucessório talvez seja o tema que mais evidencia a evolução das práticas de RH. No modelo apresentado por Sérgio, ele deixa de ser um exercício anual e passa a ser um processo contínuo, com monitoramento constante e revisões periódicas. A existência de múltiplos sucessores, incluindo planos de contingência, demonstra uma abordagem altamente pragmática e orientada à continuidade do negócio.
No caso de Lorena, o planejamento sucessório está diretamente conectado à estratégia. Ele não é apenas uma lista de nomes, mas um conjunto de decisões sobre como garantir a sustentabilidade das posições críticas. A utilização do modelo Buy, Build e Bind reforça essa visão, trazendo clareza sobre quando desenvolver internamente e quando buscar no mercado.
Já no modelo da Johnson & Johnson, o processo é altamente estruturado e conduzido de forma colegiada. Um aspecto particularmente relevante é o compromisso com o realismo: o plano não precisa estar completo ou “bonito”. Se não há sucessores preparados, isso é explicitado e tratado como um risco a ser gerenciado. Essa transparência interna eleva a qualidade das decisões e evita uma falsa sensação de segurança.
4. O PAPEL DO RH — UMA TRANSFORMAÇÃO SILENCIOSA, MAS PROFUNDA
Evolução do papel do RH
Nível de maturidade | Papel do RH |
Inicial | Executor |
Intermediário | Estruturador |
Avançado | Moderador |
A análise dos três modelos deixa clara uma mudança significativa no papel do RH. Em contextos menos maduros, o RH ainda atua como executor dos processos, sendo responsável por conduzir avaliações e consolidar informações. À medida que a organização evolui, esse papel se transforma.
No estágio intermediário, o RH passa a estruturar metodologias, definir critérios e apoiar a liderança na aplicação dos processos. Já em ambientes mais maduros, como o apresentado por Ana, o RH assume uma posição de moderador e guardião da consistência. A responsabilidade pela gestão de talentos é transferida para os líderes, que passam a ser os verdadeiros donos do processo.
Essa transição não acontece de forma automática. Ela exige tempo, capacitação e, principalmente, mudança de mentalidade — tanto do RH quanto da liderança.
Alguns Insights
O grande aprendizado deste encontro é que a maturidade em gestão de talentos não está nas ferramentas utilizadas, mas na forma como elas são aplicadas.
O diferencial está na clareza de critérios, na consistência das decisões e na coragem de tratar a realidade como ela é.
A capacidade de diferenciar performance de potencial, de assumir riscos no planejamento sucessório e de responsabilizar a liderança pela gestão de talentos são fatores que, de fato, elevam o nível das organizações.
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O CHRO Network HUB nasce exatamente com esse propósito: fomentar discussões mais profundas, práticas e estratégicas, conectando profissionais que buscam evoluir suas práticas com base em experiências reais.
E este foi apenas o primeiro de muitos encontros. Se você é CHRO ou ocupa um cargo Gerencial em RH te convido a conhecer nossa comunidade!
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